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A Importância de se Fotografar na Luz e Época Corretas

28 de Maio de 2016

Olá pessoal, queria com essa postagem, dizer algumas coisas sobre interpretação da luz natural. E isso vai bem além de fotografar cenas clássicas (e belas, sem dúvidas) como um nascer ou por do sol.
Com certeza todo mundo, fotógrafo ou não, já perdeu as contas de quantas vezes se emocionou com um fim de tarde multi colorido, seja na cidade, na praia ou montanha. E creio que todos que leem aqui já fotografaram cenas assim, exaustivamente. Não há dúvidas que esse tema tema pode render ótimas fotos, mas minha ideia com essa postagem é mostrar a vocês outras ocasiões, menos óbvias, mas que também propiciam grandes capturas.

Próximo de meio-dia os raios solares incidem mais perpendiculares na superfície da água do mar, realçando melhor as cores. Soma-se a isso o uso do filtro polarizador circular (PLC), que elimina reflexos indesejados e aumenta contraste e saturação das cores.

Próximo de meio-dia os raios solares incidem mais perpendiculares na superfície da água do mar, realçando melhor as cores. Soma-se a isso o uso do filtro polarizador circular (PLC), que elimina reflexos indesejados e aumenta contraste e saturação das cores.

A luz das primeiras horas da manhã na Patagônia. Campo bem amarelo, época bem seca. Uso de filtro PLC.

A luz das primeiras horas da manhã na Patagônia. Campo bem amarelo, época bem seca. Uso de filtro PLC.

A primeira e mais importante dica não poderia ser outra: aproveite sempre que possível, e aí eu digo, faça realmente o possível e o impossível para fotografar na luz que convencionalmente chamamos de “luz de ouro da fotografia”, ou a “hora mágica”. Trata-se da luz nas primeiras horas que o sol ilumina o dia e também nas últimas horas, até alguns minutos depois do pôr do sol. Os horários variam de latitude pra latitude, assim como durante as estações do ano. Quanto mais perto do equador, menor a diferença entre a duração entre os dias e as noites. E por conseqüência, as variações de intensidades luminosas entre as estações são menores. Assim, no nordeste do Brasil, em lugares como o Rio Grande do Norte, o sol se põe perto das 17:30, seja verão ou inverno. E nasce também muito cedo, geralmente antes das 5 horas. Mas no sul ou sudeste de nosso país isso varia bastante, até mesmo pelo horário de verão. Em geral, as 2 primeiras e as duas últimas horas de luz de cada dia são as mais bonitas. Pra ser mais rigoroso, a hora mágica, propriamente dita, é aquela meia hora antes e depois do nascer do sol e analogamente, meia hora antes e depois do pôr do sol. É onde podemos perceber uma nítida tonalidade dourada na paisagem, pois a luz tem uma alta temperatura nesse horário, que deixa as fotos com cores mais vivas e agradáveis, texturas mais perceptíveis e sombras suaves. Na grande maioria dos casos, é isso que um fotógrafo de paisagens procura. Luz quente e suave. Guarde isso.

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra observação importante é que no inverno os períodos de luz considerada boa se dilatam um pouco. Ou seja, uma luz de 9 horas da manhã em pleno inverno no sudeste do Brasil é melhor que a mesma luz no verão.
Agora vamos a algumas exceções: nem sempre é possível tirar todo proveito dessa luz. Em alguns lugares montanhosos, de elevações abruptas, como os Andes ou os Southern Alps da Nova Zelândia, no horário da luz mágica as regiões de vales muitas vezes estão imersas em grandes sombras, pois montanhas muito altas já taparam o sol. Aí, provavelmente precisaremos fotografar em horários intermediários, onde haja luz incidente nas paisagens que gostaríamos de captar. Há outro caso onde fugimos completamente à luz dourada. Por exemplo, em momentos onde queremos captar as tonalidades de um mar azul, ou de um rio de águas cristalinas. Nesses casos, quanto mais perpendicular for a incidência da luz na superfície da água, mais cores captaremos em nossas fotos. Para esses casos, o uso de um filtro polarizador circular (PLC) é bem recomendável.

Luz quente da manhã. Observe as sombras, muito inclinadas.

Luz quente da manhã. Observe as sombras, muito inclinadas.

Fim do Inverno no cerrado de Goiás. Paisagem seca, céu azul.

Fim do Inverno no cerrado de Goiás. Paisagem seca, céu azul.

Há casos também em que a luz mais bela de uma paisagem pode estar camuflada na luz da lua. Seja no meio da noite, na sua calada, ou mesmo instantes antes de o dia nascer. Essas fotos são chamadas de noturnas e geralmente causam efeitos impressionantes. Bem, sobre fotografia noturna precisaremos de um capítulo a parte, em breve publicarei aqui algo sobre o tema. Aguardem!
Outra coisa muito importante também, e acho até que isso é o mais importante, é saber escolher as melhores épocas para se fotografar cada lugar. Por exemplo, se você viaja por Minas Gerais nos meses de inverno, especialmente nas regiões centro, norte, oeste e centro oeste do estado, verá mais de 90% dos dias azuis, sem chuva alguma. Cada pôr do sol é mais impressionante que o outro. Pode ser uma ótima época para se fotografar paisagens. No início da estação seca, mais ou menos em abril, pode haver algumas chuvas, mas os rios estão ainda com bom volume de água, o que pode ser muito interessante para as fotos de cachoeiras. Já no fim dessa estação, por volta de setembro, o cerrado está completamente amarelo em alguns lugares e bastante seco, ou mesmo queimado, em outros. Fumaça de queimadas também são comuns, comprometendo nitidez e visibilidade na paisagem. Já no nordeste do Brasil, no inverno chove e venta bastante. Você provavelmente não verá o mar tão belo quanto no verão.

Outono na Patagônia. Um quadro impressionista a céu aberto.

Outono na Patagônia. Um quadro impressionista a céu aberto.

Um momento raro e de duração breve. Céu tempestuoso ao fundo, com grande dramaticidade e ao mesmo tempo, o sol iluminando a pastagem.

Um momento raro e de duração breve. Céu tempestuoso ao fundo, com grande dramaticidade e ao mesmo tempo, o sol iluminando a pastagem.

Já na Patagônia, o outono colore toda a paisagem de tons amarelos e vermelhos, como um quadro impressionista. Mas em contra partida, o número de dias de sol é bem menor que no verão. Além disso, faz mais frio e os ventos são costumeiramente fortes. Tudo tem seu preço. Há ainda muitas outras nuances, com relação a comportamento de vida selvagem, épocas e rotas migratórias de aves, ocorrência de floração nos diferentes biomas, etc. Esteja sempre atento, pesquise previamente e programe-se.
Bem, como conclusão, gostaria de salientar que disciplina e planejamento são as palavras chaves. Estar a postos no local a ser fotografado, no momento perfeito de luz, na época adequada a depender de seus interesses, é de vital importância. Desrespeitando essas premissas básicas da fotografia de paisagens, você muito provavelmente não conseguirá as fotos que planejava, se frustrará e certamente fará muitos mais cliques perdidos. Por experiência própria, eu já cometi esses erros diversas vezes e hoje em dia procuro evitá-los ao máximo.

A clássica luz dourada, por volta das 17 horas, no sertão Mineiro. Fim de Maio, época da floração das Paineiras Barrigudas.

A clássica luz dourada, por volta das 17 horas, no sertão Mineiro. Fim de Maio, época da floração das Paineiras Barrigudas.

Mesma locação e dia da foto anterior, 40 minutos mais tarde. Alguns instantes após o pôr do sol, as nuvens mais altas refletem a luz do sol, criando momento de rara beleza. Importante o planejamento, pois o fenômeno dura poucos minutos.

Mesma locação e dia da foto anterior, 40 minutos mais tarde. Alguns instantes após o pôr do sol, as nuvens mais altas refletem a luz do sol, criando momento de rara beleza. Importante o planejamento, pois o fenômeno dura poucos minutos.

E lembre-se: aquele incrível, florido e dourado campo de cerrado que você viu numa página dupla de sua revista de turismo predileta, provavelmente foi fotografado com planejamento prévio. Era uma primavera, às 6 da manhã, o tempo estava claro. Se você tentar a mesma foto ao meio dia e noutra época do ano, o resultado pode ser desastrosamente diferente. Portanto, caros fotógrafos de natureza, acordem cedo, fotografem até o meio da manhã, voltem no meio da tarde e, sobretudo, escolham os destinos de suas próximas viagens fotográficas de acordo com as especificidades de cada local. Fora isso, não há muito segredo.

Um grande abraço!

Céu estrelado. Foto noturna com exposição de aproximadamente 10 minutos em noite de lua minguante, captando a via láctea.

Céu estrelado. Foto noturna com exposição de aproximadamente 10 minutos em noite de lua minguante, captando a via láctea.

Lua cheia se pondo no céu, bem no início da manhã. O sol ilumina e colore de vermelho o vulcão.

Lua cheia se pondo no céu, bem no início da manhã. O sol ilumina e colore de vermelho o vulcão.

Primeiras luzes do dia, momentos antes do sol despontar no horizonte. Névoas ao fundo do vale são comuns nesse horário, pela alta humidade da noite.

Momento captado logo após o por do sol. Usado filtro ND para conservação da luz na água da cascata.

Foto Noturna. As luzes que iluminam a montanha vem da lua cheia. Ao fundo, tons avermelhados anunciam o nascer do sol, que não tardaria a aparecer. E no céu, chuva de estrelas, conseguidas pela longa exposição da imagem.

Foto Noturna. As luzes que iluminam a montanha vem da lua cheia. Ao fundo, tons avermelhados anunciam o nascer do sol, que não tardaria a aparecer. E no céu, chuva de estrelas, conseguidas pela longa exposição da imagem.

Raiar do dia. Nesse tipo de foto é muito comum a presença de névoa.

Raiar do dia. Nesse tipo de foto é muito comum a presença de névoa.

 

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