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Você Sabe o que é Panning?

06 de Julho de 2016

Pannig e Zooming são dois efeitos muito interessantes e relativamente comuns na fotografia outdoor, por aumentar a sensação de movimento e ação nestas imagens. Não são exatamente técnicas muito simples, mas com algum treino, várias tentativas e paciência, você chegará a resultados muito bons. No post anterior, discutimos o Zooming. E agora, falaremos sobre o Panning. Vamos lá – É quando congelamos (ou quase) um objeto que se move, mas preservamos no fundo a completa sensação deste movimento. É mais fácil explicar isto por imagens. Veja a foto a seguir:

Foto1: Canon 5D Mark2 em: f/4.5; 1/40 seg; ISO 800

Foto1: Canon 5D Mark2 em: f/4.5; 1/40 seg; ISO 800

As jovens guatemaltecas tem seus movimentos congelados, porém o fundo, que na verdade está imóvel, é que nos dá a impressão de movimento. Interessante, não ? Vamos à explicação: o segredo é acompanhar o movimento das garotas, tentando mover a câmera na mesma velocidade e sentido em que elas se deslocam. Assim, a velocidade relativa entre câmera e as jovens será nula (pois se movem juntas) e o fundo é que estará se movendo. Se você se lembrar daquela aula de física onde se aprende sobre velocidade e referenciais, ficará mais fácil entender. É o mesmo caso do observador dentro de um trem, que vê pela janela a paisagem do lado de fora, mover-se rapidamente. Mas se olhar para dentro do vagão, seu companheiro de viagem, sentado na poltrona, está estático. Conclusão exatamente oposta terá um outro observador, fora do trem. Este verá o trem movendo-se rapidamente e a paisagem parada. Enfim, questão de referencial. Vamos a outros exemplos, tentando mostrar outras aplicações na fotografia de aventura ou de viagens:

Foto 2: Canon T1i em: f/4; 1/80 seg; ISO 400

Foto 2: Canon T1i em: f/4; 1/80 seg; ISO 400

Foto 3: Canon 5D Mark2 em: f/4.5; 1/60 seg; ISO 160

Foto 3: Canon 5D Mark2 em: f/4.5; 1/60 seg; ISO 160

Foto 4: Canon 5D Mark2 em: f/8; 1/40 seg; ISO 250

Foto 4: Canon 5D Mark2 em: f/8; 1/40 seg; ISO 250

Foto 5: Canon 6D em: f/6.3; 1/40 seg; ISO 400

Foto 5: Canon 6D em: f/6.3; 1/40 seg; ISO 400

Nas fotos 4 e 5 utilizei um flash dedicado que, disparado remotamente via wireless, (também poderia ter sido feito conectado diretamente à câmera) me ajudou a congelar o movimento do(a) ciclista, mesmo utilizando um tempo de obturador maior que nas fotos anteriores. Isto porque a luz do flash cumpriu a função de imobilizar o assunto principal, enquanto que as áreas onde sua luz não incidiu, ou incidiu de modo muito atenuado, ficaram bastante borradas, pois foram iluminadas basicamente pela luz natural. A conclusão é que, usando o flash, você conseguirá utilizar um tempo de exposição bem maior, o que garantirá um melhor efeito de pannig, borrando mais o fundo, sem comprometer muito a estática desejada no assunto principal da foto. Capiche? Note que em todas as imagens, as velocidades de obturador são relativamente pequenas. Quanto maior o tempo (ou seja, quanto menor a menor velocidade), mais você desfocará o fundo. Ótimo! O problema é que quanto maior o tempo, maiores também suas dificuldades em não tremer a imagem e também em seguir exatamente o mesmo movimento do assunto da sua foto (o ciclista, o carro, o corredor, etc). Usar um tripé ou mesmo um monopé pode ajudar a minimizar a chance de você tremer a câmera. Perceba também, que mesmo usando um tempo idêntico de obturador (1/40seg), a foto 5 denota mais movimento que a quarta imagem. Isto porque a velocidade de deslocamento do ciclista na última foto era bem superior à foto 4, o que me obrigou a mover a câmera mais rapidamente para conseguir acompanhar o ciclista, o que por sua vez, faz borrar mais o fundo. Ficam algumas observações para uso em conjunto com flash: sugiro utilizar o flash em modo manual, para você poder testar previamente que potência funcionará melhor. E realizar esta imagem em um local com pouca luz natural incidente, como numa mata, por exemplo, facilitará o efeito. Se houver luz excessiva, você não conseguirá uma boa exposição da foto para tempos grandes de obturador, mesmo fechando ao máximo o diafragma da objetiva. Existem também outras variações de panning. Por exemplo, esta das duas fotos abaixo. Fiz como uma brincadeira apenas, durante uma visita ao centro histórico de Recife, dentro da Catedral de São Pedro. A baixa iluminação ao fundo, nas paredes da igreja, ajudou o efeito visual ficar mais interessante. O que eu fiz aí nestas fotos foi simplesmente segurar a câmera virada para mim e girar em torno de meu próprio eixo. Veja como os tempos de exposição comandam o quanto o fundo da imagem irá borrar. Com 1/5 seg. o fundo se moveu bem mais que com 1/10 seg. Afinal, a imagem foi captada com o dobro do tempo. OBS: perceba a distorção na imagem causada pela ultra grande angular (especialmente o pescoço exagerado). 12mm em sensor APS-C. Neste caso, foi um ponto negativo, mas impossível de se evitar, pois uma distância focal maior, como 50mm, por exemplo, iria comprometer a proposta de mostrar o fundo da imagem, em movimento.

Foto 6: Canon T1i em: f/8; 1/10 seg; ISO 800; 12mm

Foto 6: Canon T1i em: f/8; 1/10 seg; ISO 800; 12mm

Foto 7: Canon T1i em: f/8; 1/5 seg; ISO 400; 12mm – Mais tempo, mais movimento.

Foto 7: Canon T1i em: f/8; 1/5 seg; ISO 400; 12mm – Mais tempo, mais movimento.

Bem, agora que você já entendeu a teoria e a lógica da coisa, só falta praticar. É aí que costuma complicar. E digo porquê: primeiro, a velocidade ideal de obturador irá variar para cada sequência, de acordo com o quão rápido se move seu assunto. Por isso, você provavelmente fará algumas fotos de teste até chegar num valor ótimo de obturador. Segundo, porque o sincronismo no movimento câmera/assunto é algo bem sensível. Uma panning perfeita não é tarefa fácil. (eu mesmo nunca consigo… hehe). Mas se você se esforçar um bocado, certamente atingirá resultados técnicos bem melhores que estas fotos aqui. ? Abaixo dois exemplos de uma sequência. No primeiro, a pessoa correndo ficou bastante borrada. No segundo, o resultado já ficou consideravelmente melhor. Ambas as fotos tem a mesma exposição à luz. O que diferiu no resultado, foi simplesmente um melhor sincronismo ao seguir com a câmera o movimento da pessoa. Certamente, se eu tentasse mais vezes, poderia conseguir um panning ainda melhor. Ou levaria à exaustão a pobre modelo ;-). As chaves, para este tipo de fotografia, são paciência e treino. Só não se esqueça de caprichar na composição, ok ? Última dica sobre panning: habilite a função disparo contínuo de sua câmera e faça várias fotos em cada sequência de movimentos. Maiores serão as chances de sucesso.

Foto 8: Canon 5D MArk2 em: f/8; 1/40 seg; ISO 320

Foto 8: Canon 5D MArk2 em: f/8; 1/40 seg; ISO 320

Foto 9: Canon 5D MArk2 em: f/8; 1/40 seg; ISO 320

Foto 9: Canon 5D MArk2 em: f/8; 1/40 seg; ISO 320

Quem tiver fotos assim, ou mesmo fizer seus testes, poste aqui nos comentários seus exemplos, será um prazer ver o trabalho de vocês!

Fico por aqui, amigos, um abraço e ótimas fotos a todos!

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Categorias: Blog, Técnica
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