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Ferramentas de Composição Fotográfica – Parte 2

27 de Setembro de 2016

Fatores que afetam sua composição

São diversos estes fatores que irão determinar o resultado final de sua composição, como por exemplo:

  • A escolha da lente. Por causa da distorção de perspectiva, lentes grande angulares e teleobjetivas se comportam de modos singulares, diferentes da forma com que o olho humano naturalmente vê as cenas. As grande angulares estendem a perspectiva, onde objetos próximos se parecem maiores do que realmente são e os distantes se parecem menos agrupados, além de muito menores do que enxergamos a olho nu. Já lentes teleobjetivas tem a tendência de achatar a perspectiva, num resultado em que os objetos não parecem ficar menores com a distância e parecem estar empilhados uns sobre os outros.

 

Por causa da distorção de perspectiva, objetos a curta distância se parecem maiores do que realmente são. Uma composição pode tirar proveito disto, destacando um elemento no primeiro plano. (Canon 5D Mark2 em 17mm)

Por causa da distorção de perspectiva, objetos a curta distância se parecem maiores do que realmente são. Uma composição pode tirar proveito disto, destacando um elemento no primeiro plano. (Canon 5D Mark2 em 17mm)

Teleobjetivas atenuam a sensação de diminuição de tamanho dos objetos ao longo que se distanciam. Cria um efeito de achatamento na imagem, trazendo um fundo para frente. (Canon 6D em 300mm)

Teleobjetivas atenuam a sensação de diminuição de tamanho dos objetos ao longo que se distanciam. Cria um efeito de achatamento na imagem, trazendo um fundo para frente. (Canon 6D em 300mm)

  • Sua distância do assunto fotografado.
  • Sua altura – acima, no mesmo plano ou abaixo – em relação ao que você fotografa. Especialmente em lentes grande angulares, estes fatores poderão influenciar e muito nas distorções da imagem. Já experimentou fotografar uma igreja relativamente de perto, desde o plano da rua? Viu como as paredes laterais se transformam e retas convergentes, afunilando-se em direção ao céu?

 

Lentes grande angulares podem criar acentuadas distorções. Neste caso, visto de uma perspectiva do chão, estas ruínas cria paralelas convergentes, nas linhas de suas paredes.

Lentes grande angulares podem criar acentuadas distorções. Neste caso, visto de uma perspectiva do chão, estas ruínas cria paralelas convergentes, nas linhas de suas paredes. (Canon 6D em 17mm)

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Mesma distância focal (zoom), porém numa perspectiva de mais acima, após escalar uma das paredes da ruína. Resultado, bem menos distorção. Lembre-se da dica: mova-se !

  • Sua posição – central, à esquerda ou à direita – em relação ao que você fotografa.
  • Luz e sombra tem profundo impacto sobre o que você fotografa, e estes fatores mudam, conforme a luz muda. No caso de paisagens, utilizando luz natural, fotografar na luz ideal para cada assunto, é tema da maior importância. Veja o post clicando aqui, onde falo exclusivamente sobre isto.
  • Seu foco. Em fotografia de paisagens, geralmente o que se deseja é uma grande profundidade de campo, garantido ótima nitidez e resolução em todas as partes da imagem, mas a utilização de áreas de desfoque pode enfatizar elementos, separando o principal do secundário na sua imagem e deixando com um ar mais artístico, especialmente quando usado em retratos, fotojornalismo e vida selvagem.
O foco seletivo, conseguido com lentes claras (f/2.8 ou maior), pode gerar um belo efeito estético, ajudando a ressaltar um elemento em detrimento de outros.

O foco seletivo, conseguido com lentes claras (f/2.8 ou maior), pode gerar um belo efeito estético, ajudando a ressaltar um elemento em detrimento de outros.

Outra coisa extremamente importante é sentir inicialmente o lugar. Caminhe para um lado e outro até mesmo antes de retirar a mochila, montar tripé e toda a tralha. Inspecione bem o local, procurando pelos tais “elementos abstratos” mencionados no post anterior, procure ângulos inusitados, estude como melhorar os alinhamentos entre os objetos, tente sair do “lugar comum”. Pergunte-se coisas como: “E como seria a vista do alto daquele morro? Ou daquela rocha? Ou de dentro daquele cânion?” Esta curiosidade é vital. Isto porque composições não caem do céu. E dificilmente você terá encontrado o melhor ângulo e local para aquela fotografia logo de cara.

Parece bem óbvio isto, mas a cena que eu definitivamente mais vejo por todo lado é justamente o contrário. As pessoas não mais querem olhar. Simplesmente apontam suas câmeras ao esmo e apertam botões. O mestre Henri Cartier Bresson, brilhantemente fala sobre isto, neste vídeo. Recomendadíssimo.

Aproveitando para pegar o gancho deste tema, há um assunto que eu gostaria de já ter comentado desde o princípio. Quando eu digo que você precisa sentir o lugar, não se trata de uma necessidade apenas fotográfica. Se você fotografa natureza, provavelmente é porque isto te atrai, te identifica, ajuda a lhe traduzir como pessoa, muito antes de fotógrafo (a). Entrar em direta e harmônica conexão com o ambiente natural é a primeira necessidade, o motivo pelo qual você está aqui, lendo este artigo, estudando fotografia. Fotografia é apenas uma forma que usamos para nos relacionarmos com a natureza. Digo que para mim é um pretexto a mais para embarcar em sucessivas viagens, expedições e explorações ao mundo natural. Uma prática de higiene mental, exercício de paciência, serenidade, amor. Compreensão calma e silenciosa da vida.

Resumindo, um fotógrafo de paisagens precisa, acima de tudo, amar a natureza, amar o que faz. Somando-se a isso muita dedicação, uma dose de talento e alguma sorte, não há como dar errado.

O envolvimento com a natureza é fundamental no perfil de um fotógrafo de paisagens. Crédito da foto: Carolina Pinheiro

O envolvimento com a natureza é fundamental no perfil de um fotógrafo de paisagens. Crédito da foto: Carolina Pinheiro

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Categorias: Blog, Composição, Técnica
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